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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SOBRE MODA E MODA DENTRO DA MODA



Bom era o tempo em que tucano era uma ave, lula apenas um fruto do mar, rosinha uma flor, garotinho um menino levado, "genoíno", algo de verdade, de confiança, e caniço, um equipamento de pesca.
Com a moda da cerveja em alta, surgiu uma outra moda: em 2013 uma pá de camaradas resolveu criar seu proprio MÉ, e defender uns trocos com isso.
Alguns, não tinham nada a ver com o cenário cervejeiro, acredito eu, só queriam mesmo era faturar um din-din. Lógico que levantar uma grana é um direito beliscado ao dever do cidadão comum, mas o que ocorre sempre em terras tupiniquins, é o péssimo hábito de achar bonito/gostar, e se resignar a ter um produto "meia boca" à disposição.
Na onda desse modismo, dentro do modismo, surgiram geniais idéias sem criatividade, de rótulos com nome de bandas de música. A idéia ja existia lá fora, e algumas das já consagradas cervejarias brazuca lançaram seus rótulos com receitas bem elaboradas, mas que fizeram com que alguns homebrews de primeira viagem, lançassem sua cervejota com o nome de uma ou outra banda com ou sem autorização, e sem inspiração no conceito. Lembro que ouvi de um artista com o nome de equipamento de pesca, falando na tv: "Nossa cerveja tem sabor de rock'n roll!"

WTF!?? O que seria uma cerveja com sabor de rock?
Sendo policamente correto, e me isentando de processos do sindicato das atividades circences, exclamo: Que "palha assada" é essa!?
Algumas das cervejas têm o sabor tão semelhante uma das outras, que me faz acreditar na teoria da Conspiração Cervejeira philosofada por um amigo meu, que diz que vem tudo de uma única cervejaria ou receita.
Sou um cara a favor da cerveja artesanal, aquela sem tampinha personalizada e vendida no boca-a-boca, na peleja, e com fermentador dentro de uma geladeira no fundo de casa. Mas é importante o estudo, a leitura, e na hora de dar o nome, é melhor colocar no rótulo o nome daquela sua ex que maltratou seu coração, tipo "Katilanga Blond Beer", do que "Mc Naldo Pale Ale". Me ajuda, meu amigo "cervejeiromatreirodebarriguinhapró"! Tem dó, Bionicão!
Medo que eu tenho de aparecer uma cerveja do tipo "Fiuk Fruit Beer"... ou sei lá mais o que pode existir na cabeça desses caras. Aff...

Em tempo: Dicas de moda do HE-MAN: 
"vc querida de mini saia preta, tenis all star cano alto, meia arrastão, num show do Slipknot, corre o risco de mais parecer uma chiquita do inferno do que uma headbanger!




Fonte: eu proprio
Fotos: reprodução

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O ANIMAL SATISFEITO, DORME - Guimarães Rosa e minhas desculpas

O ANIMAL SATISFEITO, DORME.

Sim senhores! Nem precisa de dar uns goles de cerveja para sacar a obviedade dessa frase citada por Guimarães Rosa, o Guigui. Alguns pensam no "animal satisfeito" como sendo o seu cachorro de estimação ao invés de sacar que trata-se do proprietario do animal. Normalmente quando o o caboclo atinge a "zona de conforto", tende a cochilar e parar de crescer enquanto o animal insatisfeito jamais para de querer crescer, ele se movimenta, busca e corre atrás.

Surpreendentemente esse animal que vós escreve não dormiu! Com base nas informações que tinha, escrevi sobre cerveja sem álcool e que o conceito literal da cerveja impossibilita a existência de da bebida, como sendo cerveja 100% livre de álcool. 

Pois bem senhores, dou a minha mão a palmatória e confesso: Eu estava errado! Existe sim cerveja sem álcool por meio de processos tecnológicos modernos dantes inconcebíveis na sua cabecinha.


AH! A TAL TECNOLOGIA
Dr. Drauzio diz: Não pode pow!
É verdade que a cerveja sem álcool vendida no Brasil, por capricho da nossa legislação contém um residual de álcool devido ao processo de fabricação, que consiste fazer a cerveja e interromper o processo de fermentação logo no começo, deixando assim o álcool residual em torno de 0,5%. Difícil ficar bêbado com isso, mas para quem tem problemas de saúde tipo diabetes, pancreatite ou outras moléstias, pode sair machucado. Não sou médico apenas reproduzo o obvio que é se você não pode com álcool amigão, é porque não pode.

Então vamos lá: Durante o processo de fabricação da cerveja, ocorre a fermentação quando a levedura degrada a maltose do mosto e forma o álcool e o gás carbônico. 
Um detalhe: As cadeias açúcares mais longas, não são degradadas pela fermentação e por isso não podem ser transformados em álcool.

O TAL MOSTO
Entaunces o processo é manipulado para que o mosto cervejeiro apresente principalmente açúcares de cadeias longas (polissacarídeos) somada a uma temperatura bem baixa para que aconteça de forma bem lenta e o cervejeiro de plantão não bobeie no turno podendo interromper antes da fermentação alcançar o limite de 0,5% de álcool. Simples assim!
Ressaltando que as cervejas com até 0,5% de alcool, por lei aqui no Brasil, podem ser chamadas de cerveja "sem alccol", mas tem que ler aquelas letrinhas pequenininhas para saber.

Sacou?

E as 0,0% de álcool Bionicão, como são fabricadas?
NÃO SEI SE ESSE CARA É BELGA E
NEM PESQUISADOR, MAS SAIU
BEM NA FOTINHA
Serelepes pesquisadores Belgas descobriram porque a cerveja sem álcool, produzida a partir de fermentação interrompida, não agrada a todos: a cerveja sem álcool contém entre outras, a substância residual metional, que na elaboração de cerveja normal, é eliminada. 
Não é necessário pesquisadores belgas graduados, com mestrado e doutorado para para descobrir que a cerveja fica com gosto de _______________________ (preencha a lacuna) né? Qualquer um que prova esse treco saca, mas para descobrir o tal metional...so os cabeçudos

Esxistem varios processos de "desalcoolizar" a cerveja, mas o mais eficaz é o Spinning Cone Column (SCC), uma aplicação por vapor em uma coluna através de stripping. 

O sistema oferece uma série de benefícios importantes às cervejarias como:

- A qualidade da cerveja permanece intacta devido à redução do impacto térmico sobre o produto;
- Possibilidade de recuperação de aroma(os sabores são retirados e depois recolhidos em um condensado alcoólico, que pode ser dosado novamente na cerveja final);
- Redução do nível alcoólico até 0,05% (ABV) em apenas uma passagem, sem danificar o produto;
- Não há necessidade de se retirar o gás da cerveja antes da remoção do álcool;

A SCC consiste em uma coluna vertical que possui cones metálicos rotatórios e estacionários, dispostos alternadamente, com fluxos contra-corrente de gás e líquido, que colocam as duas fases em contato. O sistema funciona a vácuo, em temperaturas de 40º - 45ºC (104º - 113ºF). Uma película fina e turbulenta do líquido desce a coluna sobre a superfície superior de cada cone. O fluxo é induzido pelos efeitos alternados das forças centrífugas e gravitacionais. O gás (vapor) sobe a coluna, pelos espaços entre os cones. Aletas radiais nas superfícies inferiores dos cones rotativos garantem turbulência máxima nessa fase.


  Isso melhora a eficiência e produz um efeito de bombeamento na fase de vapor, que resulta na redução da queda de pressão ao longo da coluna. Isso é importante quando há remoção de álcool da cerveja, pois resulta em temperaturas consistentemente mais baixas no sistema e, conseqüentemente, reduz qualquer impacto térmico, que afeta a qualidade da cerveja.

Lindo né? Vamos aos números:

Entrada de cerveja:                                        5,5% abv - teor alcoólico
Saída de cerveja:                                           0,05% abv - teor alcoólico
Capacidade:                                                  ~ 20 hl/h
Vapor:                                                           360 kg/h (794 lbs/h)
Água de Resfriamento do Produto:                  12 kW (41.000 BTU/h)
Água de Resfriamento do Condensado:            232 kW (792.300 BTU/h)
Eletricidade instalada / operando:                    28/18 kW (37,5/24 HP)
Ar comprimido:                                              1m3/h (2.120 cfm)

Dependendo do método escolhido para a elaboração de cerveja sem álcool, podemos afetar em maior ou menor grau as suas características de qualidade.
Por isso a importância de optar pelo melhor processo, que signifique o melhor para o produto, com o menor custo operacional possível.

Por isso compre já seu Spinning Cone Column (SCC) e desalcoolize você mesmo sua cerveja predileta!

E para finalizar, continuo achando que não existe cerveja sem álcool porque o álcool é parte da receita, e bebida fermentada tem que ter álcool. Cerveja desalcoolizadas deveria ter outro nome.
Mas mesmo não concordando, nao bebendo esse treco e fazendo birra eu tenho que admitir que elas existem.

Fonte: Matthias Rembert Reinold
Mestre Cervejeiro Diplomado
fotos: reprodução 


sábado, 23 de abril de 2011

E o diabo, existe ? - Amenidades


O papel do "demo" no mundo da cerveja

Como já falamos da deus, nada mais correto do que mencionar ou outro lado da coisa que no caso é o próprio "coisa ruim".
Por motivos climáticos, geográficos, tecnológicos e consequentemente agrícolas, na região mediterrânea não havia espaço para outra bebida senão o vinho. A Bíblia relata muitos milagres da transformação da água em vinho em festas e afins. Difícil seria imaginar Jesus transformando água em cerveja para fornecer aos convidados de um casamento em plena Galiléia. Começou aí um dos principais motivos que tornou o vinho em uma bebida cultuada, e até hoje, forte em simbologias e presente em rituais e cerimônias.


Já nos países do Norte da Europa, onde é impossível cultivar a vinha, o vinho era uma preciosidade e que devido a fatores óbvios de logística para a época, importar  exigia um esforço quase sobrenatural e que acabava com que o vinho fosse reservado para a missa, cerimonias, rituais e para os bacanas da corte, enquanto a cerveja era a bebida para todos os plebeus, sendo considerado um alimento cotidiano para todos devido a sua produção fácil e barata.

Mas o que o chifrudo tem haver com isso Bionicão ?


Pois bem;
Durante a reforma protestante e devido ao aspecto bacântico da cerveja, onde beber demais e em excesso era coisa normal, chegando a alegria de ser até bonito "chapar os melão", e somado ao fato da santificação do vinho, foi fácil endemonizar a cerveja. 
Para se ter uma idéia, os Protestantes pregavam contra a cerveja devido os muitos santos associados a cerveja (os protestantes eram/são contra imagens) e a Igreja católica contribuiu retomando a mentalidade dos antigos romanos que diziam que a cerveja era para bárbaros, enquanto as pessoas civilizadas tomavam vinho.


Então foi assim que surgiram algumas doutrinas quanto a cerveja e a criatividade dos defensores chegou ao ponto de criarem uma lista enorme de cervejas ligadas ao nome do próprio coisa ruim. Sei que alguns acham um tremendo absurdo colocar nome de santo em bebida alcoólica, e esses mesmos morrem de medo de sorver algo com o nome do tinhozo.
Eu tive oportunidade (e coragem) de tomar duas delas, que foram:


Lucifer
Cerveja incrivelmente saborosa e leve com aquela espuma "de colher" que so a cervejaria Duvel Moortgat sabe fazer. Cítrica e amarga, sem agredir no alccol essa cerveja de mesmo o DNA da Duvel. Com personalidade, complexidade e leveza.

Cervejaria: Brouwerij Het Anker
Estilo: Belgian Golden Strong Ale   
Álcool (%) 8% ABV
Temperatura: 5-7 °C 

Copo ideal: Taça - Globule
Vai bem com: massas ao molho pesto e frutos do mar

Belzebuth
Essa cerveja é excelente para quem quer chapar ! No aroma e no sabor, alccol e mais alcool. No abrir a garrafa, vem o forte cheiro de cachça mesmo, com seus 13% de teor alcoolico (uma Skol tem 4,6%) e o sabor de frutas dela me pareceu um pouco artificial. Mas vale a pena pela experiência ou se preferir, é um caminho curto para chapar.

Cervejaria: Grain dÓrge
Estilo: Belgian Golden Strong Ale   
Álcool(%): 13% ABV
Temperatura: 8-12 °C 
Copo ideal: Taça
Vai bem com: massas ao molho pesto e frutos do mar 

Outras cervejas "endemoniadas":
Devil´s Brew, Diablo Gold, 666 Devil´s Pale Ale, Victory Hop Devil, Arctic Devil, Hop Devil, Devil Over a Barrel, Horny Devil, Lá Biere Dú Demon, Düber Dukels Bier, Lobkowicz Demon, Devil´s Kiss, Fourche du Diable, Horny Devil, Wychwood Devil, Red Devil Pale Ale, Devil´s Thumb Stout